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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Drogas: o crack e os novos termos

Nosso amigo Archimedes nos prestigia mais uma vez com seus textos. Desta vez, o amigo enfrenta o que considero o mais grave problema social que enfrentamos: o crack. De efeito devastador, o crack está rompendo as mais rígidas relações sociais e desestabilizando, por completo, o tecido social. A leitura do texto serve para esclarecer o que é esta droga.

Drogas: o crack e os novos termos
(*Archimedes Marques)

Antes de adentrarmos nos fatos e nas conseqüências do uso do crack peço permissão à língua portuguesa para usar duas palavras chave do tema, que na verdade são inexistentes no nosso dicionário, quais sejam: crackudo e vacilão.
Crackudo é originário do termo crack que é uma droga sintética. A palavra foi recentemente criada pelo povo brasileiro para identificar o indivíduo que é usuário e viciado dessa droga, ou seja, crackudo nada mais é do que o consumidor do crack, aquele cidadão que adquire o produto para uso próprio.
Quanto a vacilão, tal palavra é originada do verbo vacilar que significa, dentre outros: não estar firme, cambalear, enfraquecer, oscilar, tremer, hesitar, estar irresoluto, incerto... Vacilão na linguagem popular nada mais é do que o indivíduo que não mede as conseqüências dos seus atos e tampouco se importa com o que lhe aconteça.
A composição química do crack é simplesmente horripilante e estarrecedora. A partir da pasta base das folhas da coca acrescentam-se outros produtos altamente nocivos a qualquer ser vivo, tais como: ácido sulfúrico, querosene, gasolina ou solvente e a cal virgem, que ao serem processados e misturados se transformam numa pasta endurecida homogênea de cor branco caramelizada onde se concentra mais ou menos 50% de cocaína, ou seja, meio à meio cocaína com os outros produtos citados. A droga é fumada pura, misturada em cigarro comum ou em cigarro de maconha.
O crack trás a morte em vida do crackudo, arruína a vida dos seus familiares, aumenta a criminalidade onde se instala, degrada e mata mais do que todas as outras drogas juntas.
Lançando um olhar no passado o crackudo vê o rumo errado que tomou. Olhando ao futuro somente se lhe afigura a tumba. O seu presente é só o crack: o crack como o senhor do seu viver, como seu dominador, como seu real transformador do bem para o mal, como destruidor da sua família, como aniquilador da sua vida, como o seu curto caminho para a morte.
Estamos, sem sombras de dúvidas, em aguda e profunda crise social, familiar e criminal relacionada a essa droga avassaladora e mortal. A população mostra-se atônita, indefesa e impotente com tal problemática.
Até parece que apesar de todas as alertas feitas constantemente na mídia, as autoridades constituídas ainda não atentaram para esse gravíssimo problema que gera tantos outros em áreas diversas e que transforma tudo em malefícios.
O homem é o único animal racional existente na face da Terra, mas age, sem sombras de dúvidas de maneira irracional e gananciosa quando conscientemente fabrica o mal para o seu semelhante. Dentre todos os malefícios criados pelo homem para o homem, o crack está entre os primeiros colocados.
Basta o experimento de um único cigarro da pedra do crack para viciar o vacilão. A fumaça altamente tóxica da droga é rapidamente absorvida pela mucosa pulmonar excitando o sistema nervoso, causando euforia e aumento de energia ao usuário. Com a falta dessa sensação ao passar o efeito da droga, logo o vacilão é compelido ao segundo cigarro e assim por diante até levá-lo a conseqüências irremediáveis vez que ele é capaz de matar e morrer para sustentar o seu vício.
Com o passar do tempo o crack causa destruição de neurônios e provoca ao crackudo a degeneração dos músculos do seu corpo, fenômeno este conhecido na medicina como rabdomiólise, o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo, ou seja, ossos da face salientes, pernas e braços finos e costelas aparentes.
O crackudo pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é devastador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico que faz parte da composição química do crack assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.
Conclui-se assim que do mal nasceu o crack, que do crack surgiu o vacilão, que do vacilão gerou o crackudo, que do crackudo restou a morte.

(*Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela UFS)
archimedes-marques@bol.com.br

Referências bibliográficas e sites pesquisados:
AMORIM, Carlos. CV e PCC: A irmandade do crime. Rio de Janeiro: Record, 2003.
MAGALHÃES, Mário. O narcotráfico. São Paulo: Publifolha, 2000.
Dicionário Aurélio Buarque de Holanda/ Wikipédia, a Enciclopédia livre/ PT.wikipedia.org.br/ www.brasilescola.com/ www.agenciabrasil.gov.br/ www.testededrogas.com.br/ www.jefersonbotelho.com.br/ www.adepolalagoas.com.br/

sábado, 10 de outubro de 2009

A marolinha e o confisco oficial

No momento em que escrevo este post já foram arrecadados quase R$ 806 bilhões em tributos nas três esferas de governo (União, Estados e Municípios), onde só as União arrecadou mais de R$ 432 bilhões, valor 6,45% menor que no mesmo período no ano passado.
Sabendo que vivemos um período de redução da atividade econômica, temos números consideráveis, que mostram que o Brasil passa (?) com certa tranquilidade por esta turbulência.
O mais interessante é que vivemos hoje no Brasil dois Brasis distintos. O primeiro, um País que pratica desoneração da carga tributária (a arrecadação do IPI caiu mais de 70%), aumenta consideravelmente os gastos públicos, vende a imagem de uma situação de normalidade, empresta dinheiro pro FMI, quer comprar aviões militares e construir submarinos. O outro País é o do confisco oficial.
Esta semana o Ministro Mantega afirmou que as restituições de IR das pessoas físicas estão atrasadas e que permanecerão atrasadas. O nome disso: Confisco. Motivo: fechar a conta do Tesouro Nacional. Ou seja, desonerou-se a carga tributária na industria automobilístiva, e de construção civil, distribui benefícios e até emprestou R$ 20 bilhões para o FMI, que antes era objeto de repugnância e hoje virou alvo de bajulação, e na hora de devolver o que arrecadou indevidamente, simplesmente, não devolve.
Neste momento, o País da falácia, da ficção se recolhe. Surge a face negra da usurpação estatal, de um Estado direcionado a beneficiar bancos, industriias automobilisticas, construtoras em deterioração daqueles que mantêm a máquina pública.
Sejamos claro: o governo Lula colocou na conta dos trabalhadores todas as gracinhas que fez durante o ano para conter a marolinha. Ou alguém achou que ele iria cobrar dos capitalistas? Ano que vem tem eleições.!!! Respondam-me: quem banca as campanhas? os trabalhadores? Claro que não. Então, ferro neles. Depois agente faz uma graça e fica tudo bem.
Aí, como típico de um governo frouxo, lança a notícia de que está intimando grandes devedores pessoa jurídica. Ora, porque agora? os débitos são de julho de agosto de 2009? Claro que não !!! Querem justificar. Querem enganar. Como sempre e como continuarão fazendo.
Lembram-se da eleição do ano que vem?? Então!!!!



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Puna-se os culpados. Mantenha-se a luta

Sempre tive certa precaução em criticar o MST enquanto movimento social. Acredito que os movimentos sociais são parte de uma democracia, especialmente na vigência de um sistema capitalista. Acredito ainda que a única forma que certas camadas socias, especialmente as mais marginalizadas, tem de "ser vista" é quando ocorre a ruptura da ordem. Romper a ordem é elemento fundamental para que qualquer movimento social tenha chance de que seu pleito seja atendido. Veja bem: Se trabalhadores insatisfeitos com seus salários reclamarem com o chefe e continuarem trabalhando normalmente jamais serão atendidos. Contudo, ao deflagrar um movimento paredista a possibilidade de sucesso cresce sensivelmente. Ou seja, é parte das reivindicações sociais a "ruptura da ordem".
Ocorre que esta ruptura é uma linha tênue entre o objeto do movimento e a marginalidade. É fundamental que se respeite a liberdade alheia o máximo possível dentro de um sistema de compensação entre a ruptura e a preservação daqueles que em nada podem contribuir para a situação. Assim, sou contra que se feche rodovias ou vias públicas, especialmente àquelas que são caminhos para hospitais, por exemplo.
As formas de reivindicações adotadas pelo MST fugiram do nobre fim que este movimento poderia se dedicar. Invadir áreas improdutivas, expondo o pouco caso com o uso social da propriedade é válido. Agora, invadir áreas produtivas, destriuir plantações e bens, furtar objetos não pode ser entendido como forma de se obter visibilidade para a sua causa, por mais nobre que seja. Fazer tais atos é praticar crimes. Fazer tais atos retira qualquer legitimidade que um movimento social pode vir a ter e põe a população ao lado dos governos, justificando atitudes autoritárias e desproporcionais por parte do aparato estatal.
As ações de destruição promovida pelo MST contra a fazenda da multinacional Cutrale devem ser apuradas e seus autores devidamente responsabilizados. A impunidade que se esconde junto ao MST precisa acabar para que o MST não acabe.
Agora, pregar o fim do Movimento sob a alegação de que lá se escondem bandidos e "atoas" é desconhecer a realidade de milhares de famílias brasileiras. O déficit habitacional é uma perversa realidade brasileira. Se alguém acha que ser um "sem terra" é fácil passe um dia em um acampamento pra ver a vida daquela gente. E mais, falam como se só no MST houvesse bandidos. Alguém acredita que na OAB, os Conselhos de Medicina, a Mídia são composta apenas por pessoas éticas ou trabalhadoras?
Acontece que boa parte desta mídia, liderada por latinfundiários, aproveita-se de um momento para fazer valer seus "valores"e pregar a idéia de que os movimentos sociais são coisas de marginais. Não. Os movimentos sociais fazem parte da democracia. Os seus excessos devem ser punidos como qualquer excesso, contudo sem nunca tirar a legitimidade de qualquer manifestação social. Não devemos nos esquecer, jamais, que toda a conquista obtida pela humanidade foi precedida de luta, sangue, discriminação. Se hoje podemos debater assuntos com liberdade, devemos agradecer a milhares de brasileiros que brigaram pelo direito de "falar". A batalha pela reforma agrária é justa, válida e legal. Isso não podemos nos esquecer. Que se puna os culpados, mas jamais tire do povo o poder de reivindicar.